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Campus, batatas e bancos de dados

Como já ficou claro, essa semana passada foi a semana da Campus Party, evento de tecnologia e inovação que sempre afeta inúmeras pessoas e indivíduos, inspirando-os a iniciar projetos, colocar em movimento ideias que eles tem guardados em suas mentes e, porque não, agrupar-se com outras pessoas e conseguir manejar suas ideias e produzir coisas ainda mais legais e ainda mais inovadoras (não menos importante, mesmo, negócios e coisas que produzam dinheiro e receita para si mesmos e para a sociedade).

Depois da introdução deste textículo em vossa cavidade (craniana), sigo para o texto.

Para quem não me conhece, eu sou uma pessoa que faz muita merda.
Não, não, não. Mais do que isso. Eu diria que uma grande parte da minha vida é composta da produção e do despejo de merda.

De fato, de tanto que faço isso, eu posso me considerar um dos responsáveis pelo assolamento do rio que passa perto de casa (não por vontade minha, da minha família ou das pessoas que construíram o imóvel, mas sim da prefeitura)… e isso, se não algo problemático, é algo surpreendente e incrível.

Mas este não é o problema.

O problema é: some uma semana com 8000+ pessoas dividindo as mesmas 40 privadas, meu problema de merda e uma dieta nada equilibrada.
Pois é. Não importa o quanto tu queira que isso seja verdade, isso nunca dará um resultado positivo.

De fato, o resultado VAI ser uma bosta.

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Como preparação da CP, é altamente recomendável que o Campuseir@ selecione alguns snacks para levar para o acampamento, uma vez que não raramente ele ficará acordado a noite inteira produzindo materiais e discutindo as coisas citadas no primeiro parágrafo, e, porque não, curtindo, afinal de contas Nerds quase não tem vida social, então, junte vários Nerds para força-los a isto.

Eu escolhi batatas fritas.
E, para não ficar com um produto sub-par ao evento, peguei aquelas batatas bem legais, estruturadas, em latas, que não deixam nada devendo nem a Guerra nas Estrelas (masoq?!), aquelas que de tanto serem batatas tem gosto de arroz ou de girassol.
O ponto é que essas batatas tem pouquíssimas fibras (quando tem) e não contribuem muito com a hidratação corporal, (mas até aí, qual salgadinho faz?) isso somado ao meu problema fétido não contribuiu.

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E o golpe final: eu e meus amigos TODOS trouxemos balas Dadinho.

Caso você não seja um conhecedor desta iguaria, permita-me apresentar: as balas dadinho são pequenos pedaços caramelizados de doce de amendoim abençoados individualmente pelo Papa (na verdade qualquer pai mexicano) e isso confere a este encantador e mágico doce o dom de aumentar os ânimos ao mesmo tempo que incitar a deliciosidade e saboridade nas papas da língua, fazendo até o mais desanimado dos emos se contorcer de felicidade por um momento de mastigação.

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Pequenas amostras do paraíso

Porém, como um bom garoto de prédio fraco e mesquinho, eu tenho alergia a amendoins.
E como um hipster, eu não tenho uma alergia comum. Não, não. É pior. É muito pior.
Eu não tenho problemas em tocar ou ingerir o amendoim ou suas derivações, claro que não…

E a campus não estava preparada para isto.
Eu não estava preparado para isto.
Minhas calças não estavam preparadas para isto.
O papa não estava preparado para isto.
A Sabesp não estava preparada para isto.

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Assistindo sobre o desenvolvimento e coleta de dados, usando mecanismos de manutenção de bases e sistemas de coleta de grandes dados, eu abro mais uma dadinho e me permito um pequeno momento de felicidade infinita momentânea.

A bala desce pela minha garganta, acariciando calmamente os tecidos de pré-digestão que compõe o trato interior.

Meu estômago recebe aquilo e meu cérebro manda a mensagem:

“Auto-destruição ativada!”

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T-5m

Devo ressaltar neste momento que o evento é enorme, com amplos espaços abertos e locais de apresentação e movimentação de pessoas.
Apenas 2 banheiros. Nos extremos da estrutura, a muitos metros de qualquer ponto no meio da estrutura e, de fato, longe de qualquer ponto da estrutura em si que não os próprios banheiros.
Também, deixe-me lembrar-lhe que uma pessoa em auto destruição não pode correr. Ela estará apenas acelerando o processo.

Tudo estava contra mim.

O relógio, o meu cérebro, o meu intestino, o banheiro e possíveis outros 7999 usuários daquele mesmo banheiro.
Não tinha escolha, as esperanças eram poucas.
Vesti minha mochila, me botei a caminhar aceleradamente.
Meus ânimos caindo mais rápido do que ações da Petrobrás. Minhas esperanças se tornando escassas e a sensação de morte certa cada vez mais clara para minha consciência semi-ativada.

200 metros.
Meu passo era incerto.
Cada movimento do meu corpo e cada metro que percorria aumentavam o medo e aumentavam o meu nervosismo.
O frio se espalhava de minha mente para o meu corpo.

100 metros.
Começo a ver a luz no fim do túnel.
Mesmo sendo sempre clara, a Campus me parecia escura, triste e desolada, apenas aquela luz mantinha minhas esperanças.
Me aproximava do cerco e ele se fechava ao meu redor.

5 metros.
O cheiro de urina esparramada e de coisas que não foram propriamente descarregadas enchiam o lugar.
Agora, minha necessidade de explodir se juntavam a minha necessidade de implodir, todas as entranhas se reviravam em sentimentos similares a dor e a depressão.
Olhando por ali vejo um assento livre. Me dirijo para ele esperançoso de que conseguiria, de que tudo daria certo.

T-1

Abaixo o apoio do trono, vejo coisas que não deveriam estar espalhadas sobre um apoio, me enojo mais uma vez com a natureza (humana) e seus frutos.

Aquele era o momento!!!

Ao fim da palestra, consegui um autógrafo da palestrante e consegui dicas de como melhor lidar com uso de memória RAM em servidores e evitar desperdícios. Como é bom aprender coisas diferentes!

Deixo, por último, este vídeo para a reflexão:

Este post (possivelmente) não é real, é um conto que (possivelmente) inicia a série de histórias e estórias aqui no Pangalácticos que nós possamos escrever. Então, caso você tenha achado legal, curta, compartilhe e ajude a espalhar esta obra.

Não menos importante, não esqueça de comentar o que acha e, se quiser, comente uma sugestão de tema ou de evento que tu queira ler mais histórias sobre.

Sobre ToshiOhMy

Tecnólogo, tecnofílico, excêntrico pobretão que curte umas cultura diferentes. Escreve sobre cultura pop, cultura unpop, jogos e contos.

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