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Além do Céu!

Um anime com um nome ridículo mas com uma história incrível: Tengen Toppa Gurren Lagann!

destacada

Tengen Toppa Gurren Lagann, conhecido em português como “Ultrapassando os céus com Gurren-Lagann” (sério, esse é o nome da série em países lusófonos), é um anime renomado na esfera social de pessoas que curtem animes como o anime mais ridiculamente exagerado desde a criação da animação moderna que, levando-se em conta algumas coisas que conseguimos ver e acompanhar hoje em dia, é dizer MUITA coisa. Mas vou abordar isto mais tarde…

O anime se passa em um planeta alternativo (ou eu gosto de acreditar que seja) onde uma humanidade vive em vilas subterrâneas. A civilização decaiu tanto que cidades (dentro da estrutura que imaginamos) se tornaram impossíveis. Logo, conceitos como estradas, prédios, governo, educação e tudo o mais que achamos ser “essencial” não existem, mas, note: personagens ainda conhecem esses conceitos.

Aí tu se pergunta: por que caralhos a humanidade viveria sob a Terra?

Simples, oras.

Na superfície robôs gigantes estão tocando o terror e mantendo o planeta vazio,  desolado, desprovido de vida complexa e principalmente, perigoso para um cacete! (digo, normalmente robôs gigantes são perigosos, não?)

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E aí começa a história.

Acompanhando Simon vemos como a sociedade se estrutura e funciona, como as coisas acontecem e o que o dia-a-dia é composto, como qualquer boa história, de ambientes e coisas diferentes. Uma história que eu possa prezar certamente vai debulhar a rotina dos personagens (um personagem sem uma vida “normal” não é um bom personagem, oras). Como qualquer jovem em seus ~14 anos~, Simon gosta de buracos, mais especificamente, ele gosta muito de cavar, tanto isso que seu apelido é Simon o esburacador. Essa fama e esta sede de fazer buracos garantem a Simon um trabalho estável e bastante pacato, mas que o mantém vivo. Qualquer semelhança com um adolescente nesta faixa é mera coincidência.

Conhecemos também seu “mentor” e principal inspirador, Kamina. Que é herói (ou anti-herói) da história. Kamina é tudo que qualquer pessoa já quis ser: um líder nato, um desafiador do poder e uma pessoa maluca com grandes poderes de convencer e inspirar outros. Kamina é uma pessoa que não se contenta com a realidade que lhe foi apresentada durante sua vida e vive a questionar sua posição naquela sociedade e as realidades que se mantém além do “teto” da vila.

Jovens inspiradores não?

Kamina e Simon posando
Dois dos melhores personagens que já vi.

Daí, ao serem apresentados, os personagens iniciam um movimento de insurgência e revolta dentro da vila, questionando (não pela primeira vez, como descobrimos) o poder e as “regras” ali impostas. Conseguindo agrupar forças e questionar o líder local (note, força aqui quer dizer quantidade de corpos, porcos/javalis são capturados para ajudar).
A revolta é uma falha e ambos terminam presos, mais uma vez (não pela primeira vez,como descobrimos). As coisas voltam ao normal e a rotina se instala novamente. Todos voltam aos seus cargos e posições e a vida continua.

Consegue ver alguma semelhança com a realidade?
Pois é.

O anime, em termos bastante gerais, é isso: O questionamento do poder e do status quo.

Mas, ai que vem a parte que é mais bacana. A história é construída e abordada usando de robôs gigantes pra isso. Afinal de contas, pra que ter apenas uma história de questionamento social se podemos ter uma história de questionamento social com robôs gigantes?! Tipo, tudo na vida fica mais legal (e mais perigoso) com robôs gigantes, não?

E, cara, como as lições deste anime são bonitas, honestamente. As relações entre personagens são estáveis e acreditáveis, a construção da narrativa é sucinta e suave, ao mesmo tempo que não-linear o bastante para entreter e para surpreender. Nenhum personagem é simplista ou padrão o bastante para não ser interessante, todos tem suas razões e suas crenças. É lindo de acompanhar.

Aliás, falando em personagens, não nos esqueçamos da Yoko, que é, senão A personagem mais popular do mundo dos animes (para cosplayers), uma das principais. Não é difícil encontrar pessoas imitando seu estilo e trejeitos sem saber quem ela é. O que, sinceramente, não é nem um problema nem algo a se reclamar. E, a parte mais legal, ela não é uma personagem fraca ou dependente, como muito acontece, não. Ao contrário, dentre os principais ela é a personagem mais forte e mais independente, mais um personagem inspirador, atrevo a dizer.

Yoko posando ao horizonte, Sol do entardecer ao fundo.
Amar a personagem é perdoável, nesse caso.

Digo, ela é muito bonita, mesmo. pqp

Mas aí que entra a parte mais idiota do anime.
Como qualquer coisa megalomaníaca e japonesa, o anime tem algo de excêntrico e ridículo.

Neste caso (não chega a ser um spoiler, afinal fazem anos que a série saiu), são os robôs gigantes e o que os circunda.

Imagine um robô.

Sendo a cabeça de um outro robô e, efetivamente, o controlando.

Este outro robô dentro de um outro robô ainda maior.

Este robô ainda maior controlando um robô gigante.

Controlando um robô SUPER gigante:

rebuild_of_gaogurrengar_by_spikewible

Nesta brincadeira terminamos com um robô do tamanho de uma galáxia inteira.

Sim, UMA GALÁXIA!!!1!!1!onze

Os robôs sempre tem, pelo menos, duas caras. Chega a ser poético.

É ridículo? Sim.
Faz sentido? Nenhum.
É legal? PARA CARA**O!

E, não menos importante, entramos em um ponto que SEMPRE é importante pra mim.

Músicas.

O anime ostenta uma das melhores trilhas sonoras que eu já vi (ou ouvi, no caso). Tanto para os casos de abertura e encerramento (que sempre são essenciais) mas como também ao longo de sua linha temporal. Várias canções e trilhas compõe MUITISSIMO melhor as cenas e o impacto deles.

Para exemplificar, ouça/assista a abertura do anime:

I cry everytime

Vidas se tornam vivas. Encontros mais achados. Batalhas mais lutadas. E mortes mais mortas.

E o anime é absolutamente lindo e bem sucedido em executar o que ele almeja, demonstrar o que quer, expressar e gerar as emoções que se propõe e entregar uma experiência absolutamente excelente.

Em geral, um anime 10/10. Vale a pena e até mesmo a galinha inteira para o ver.

Com medo de causar spoilers (afinal de contas, somos ativamente contra isso por aqui), não debulharei mais o anime, deixarei as experiências lhes dirigirem.

E, como uma sensação boa, termino aqui.

Até uma próxima, meus caros!

Sobre ToshiOhMy

Tecnólogo, tecnofílico, excêntrico pobretão que curte umas cultura diferentes. Escreve sobre cultura pop, cultura unpop, jogos e contos.